O Que Aconteceria Com o Mercado de Criptomoedas se Houvesse um Crash na Bolsa Americana?

Em 11 de setembro de 2001, acontecia um evento traumático não só para as relações políticas internacionais, mas, para o mercado financeiro mundial como um todo. A queda das torres gêmeas, o maior símbolo da economia global, fora suficiente para ocasionar uma baixa nas bolsas de todo o mundo. O Índice da IBOVESPA registrou uma queda de quase 10% no mesmo dia e só parou de cair com a interrupção do pregão.

Porém, nos meses subsequentes, o que parecia ser uma grande recessão fora “interrompido’ com uma considerável queda na taxa de juros pelo governo americano com o intuito de salvar empresas à beira da falência e segurar o desemprego iminente. No intervalo de 1 ano, as taxas de juros americanas caíram de 6,5% em 2001 para 1,75% em 2002.

Esses juros artificialmente baixos somado aos 440 bilhões despejados no mercado imobiliário pelo FED, incentivaram pessoas a pegarem empréstimos de longo prazo para compra de imóveis e os bancos a emprestarem para devedores que normalmente não tem teriam o “score” nem perfil para sustentar aquele financiamento. Enquanto o preço dos imóveis subiam e as hipotecas eram usadas como seguro para o financiamento, tudo ia bem.

O resultado desse intervencionismo veio à tona em 2008 quando a taxa de juros volta a subir e a dívida contraída pelos americanos mostra-se impagável. Bancos e seguradoras ficam à beira da falência na medida em que o preço dos imóveis despenca. Fala-se na segunda maior crise da história americana, novamente o mercado financeiro aponta para um desfecho de forte recessão.

Eis que em 2009, a taxa de juros é  empurrada para níveis jamais vistos(0%) e aplicado um novo pacote de injeção de dinheiro na economia americana. Obama criou o maior incentivo de crédito visto até então pelos americanos, um pacote que tinha o intuito de resgatar empresas da falência e novamente fazer a manutenção do desemprego.

Para os escritores e participantes do documentário “ Overdose – A nova crise Financeira”(fica a indicação), o que aconteceu em 2009 nos EUA e nas chamadas “economias de primeiro mundo”, foi apenas mais um prolongamento da crise, um empurrão para um futuro desconhecido, a criação de uma bolha ainda maior, sem data para estourar e sem um mercado definido.

Mas qual a relação com o mercado de criptomoedas?

Se a tese defendida no documentário é verdadeira ou não, se uma forte recessão financeira está por vir ou não, não cabe aqui as respostas. Fato é, que até então, essas crises financeiras mundiais não haviam em suas possíveis carteiras de investimento um ativo que se assemelhasse das características contidas nas criptomoedas. Um ativo que valoriza com a queda das bolsas, com a queda das divisas e até mesmo com o aumento da inflação, ou seja, um ativo que valoriza com o mal andamento da economia de Estado.

Visto isso, as criptomoedas podem ser usadas como um refúgio para a depressão, bem como, para o não pagamento da dívida criada na base da emissão monetária. Isso equivale a dizer que um Crash na bolsa de valores em escala global deslocaria uma parte considerável do capital mundial para carteiras com criptomoedas. O que levaria a uma alta de preços.

Quais os possíveis cenários depois?

Isso depende de uma série de fatores, mas, minha discreta opinião é a de que o mercado de criptomoedas ficaria mais conhecido, mais frequentado e por consequência, mais capitalizado. Um bom cenário para quem anseia por ver as criptomoedas ganhando liquidez e se tornando cada vez mais perto do que chamamos hoje de dinheiro. Por hora, resta esperar.

Matheus Dutra

Estudante de Ciências Econômicas pela PUC-SP e Estagiário no Departamento de Investimentos no Bradesco SA.

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